Como funciona a apuração
Do voto digitado na urna eletrônica ao resultado declarado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE): o caminho de cada voto, o que significam os números que aparecem na noite da eleição e como ler os mapas deste site. Atualizado em 12 de outubro de 2026, entre o 1º turno (4 de outubro) e o 2º turno (25 de outubro).
1. O voto na urna eletrônica
No Brasil, a votação e a totalização dos votos são feitas por sistema eletrônico, como determina a Lei das Eleições (Lei 9.504/1997), art. 59. O eleitor vota pelo número do candidato: ao digitá-lo, a urna mostra a foto, o nome, o cargo e o partido. Se estiver tudo certo, basta apertar a tecla verde CONFIRMA; se houve erro, a tecla CORRIGE apaga o número e permite digitar de novo. Para votar em branco, aperta-se BRANCO e depois CONFIRMA. O voto nulo acontece quando o eleitor digita um número que não corresponde a nenhum candidato ou partido e confirma (TSE, Manual do Eleitor).
No 1º turno, a urna pediu cinco votos, nesta ordem: deputado federal, deputado estadual ou distrital, dois senadores, governador e presidente. No 2º turno, em 25 de outubro de 2026, o eleitorado vota só para os cargos majoritários que ainda estão em disputa. Em seis unidades da federação (Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins) há 2º turno para governador, e a urna mostra primeiro o voto para governador e depois o voto para presidente; nos demais estados, vota-se apenas para presidente, com dois dígitos (TSE, cenários de votação do 2º turno).
Fora do país, os brasileiros votam exclusivamente para presidente e vice-presidente da República. Em 2026 são cerca de 918 mil eleitores aptos no exterior, em 186 cidades (TSE, eleitorado no exterior).
2. O horário: 8h às 17h de Brasília
As seções eleitorais funcionam das 8h às 17h pelo horário oficial de Brasília, em todo o país e nos dois turnos. Por isso, em estados com outro fuso a votação ocorre mais cedo no relógio local: das 7h às 16h em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima; das 6h às 15h no Acre; e, no Amazonas, das 6h às 15h em 11 municípios e das 7h às 16h nos outros 51 (TSE, horário unificado). Quem já estiver na fila às 17h ainda tem o direito de votar, então algumas seções terminam um pouco depois (TSE, o caminho do voto).
3. O boletim de urna (BU)
Encerrada a votação, cada urna apura os votos da sua própria seção e imprime o boletim de urna. O BU traz o resultado daquela seção: os votos de cada candidato e de cada legenda, os brancos, os nulos e o número de eleitores que compareceram. São impressas obrigatoriamente cinco vias, e uma delas é afixada na porta da sala onde funcionou a seção, para que qualquer pessoa possa conferir (TSE, o caminho do voto; TSE, o boletim de urna). A lei garante aos partidos e coligações uma cópia do BU, se a pedirem até uma hora depois da sua emissão (Lei 9.504/1997, art. 68).
O BU impresso tem um QR Code com os mesmos dados. O aplicativo Boletim na Mão, da Justiça Eleitoral, lê esse código mesmo sem internet, e o TSE publica os boletins de todas as seções no seu portal à medida que os recebe (TSE, aplicativo Boletim na Mão). Assim, qualquer pessoa pode comparar o papel da porta da seção com o que foi somado no resultado oficial.
4. Transmissão e totalização
Depois da impressão do BU, a mídia de resultado, um dispositivo removível que guarda os dados da votação, é retirada da urna e os arquivos são transmitidos aos sistemas da Justiça Eleitoral. Antes de qualquer soma, esses sistemas verificam a autenticidade e a integridade de cada arquivo; uma das etapas é conferir a assinatura digital, que comprova que o resultado foi produzido pela urna cadastrada para aquela seção. Só então o resultado entra na totalização, que é a soma de todos os boletins (TSE, o caminho do voto; TSE, totalização dos resultados). Em locais remotos, a transmissão pode usar satélite, com os mesmos protocolos de segurança (Justiça Eleitoral, Fato ou Boato).
Um ponto que ajuda a entender a noite: o resultado não nasce num cálculo central escondido. Ele é gerado em cada seção, impresso e publicado; a totalização apenas soma o que as urnas já tornaram público. No 1º turno de 2026 houve um atraso pontual na divulgação, causado por congestionamento no sistema que converte os dados para publicação; segundo o TSE, isso não afetou a totalização dos votos (TSE, a totalização do 1º turno).
5. Quando os resultados começam a aparecer
A divulgação começa às 17h de Brasília, quando termina a votação em todo o país. Para a eleição de presidente, esse horário vale também para os votos do exterior (TSE, apuração começa às 17h). No domingo, 25 de outubro, os primeiros números devem surgir logo depois das 17h e crescer rapidamente nas primeiras horas.
O exterior merece atenção. Lá, as seções funcionam das 8h às 17h no horário local. Na Europa, na Ásia e na Oceania a votação acaba horas antes das 17h de Brasília, mas esses votos só são divulgados a partir das 17h, junto com os do Brasil. Já nas cidades a oeste de Brasília, como as dos Estados Unidos e do Canadá, as seções ainda estão abertas às 17h de Brasília; os seus boletins só podem chegar depois que elas fecham. Por isso o total do exterior continua mudando quando o Brasil já está quase todo somado.
6. O que são “seções totalizadas”
A seção eleitoral é a unidade de votação: uma urna, uma mesa de mesários e uma lista de eleitores. O percentual de seções totalizadas diz quantas seções já tiveram o boletim recebido, verificado e somado. Não é o percentual de votos contados nem uma previsão: as seções têm tamanhos diferentes, e a ordem de chegada depende da distância, do transporte, da conexão e do fuso. Uma região que chega mais tarde pode mudar a diferença entre candidatos. Com 100% das seções totalizadas, todos os boletins foram somados.
7. Votos válidos, brancos e nulos
O que decide uma eleição para presidente ou governador são os votos válidos, os dados a candidatos. A Constituição diz que é eleito presidente quem obtiver a maioria absoluta de votos, “não computados os em branco e os nulos” (Constituição Federal, art. 77, § 2º); a Lei das Eleições repete a regra para presidente e governador (Lei 9.504/1997, art. 2º). Votos em branco e nulos não vão para nenhum candidato, servem apenas para fins estatísticos e não anulam a eleição, mesmo que sejam muitos (TSE, votos nulos e brancos não anulam a eleição).
Por isso, os percentuais deste site e do TSE são calculados sobre os votos válidos: a soma dos candidatos dá 100%, e brancos e nulos aparecem à parte, como proporção dos votos totais.
8. Candidaturas sub judice e votos anulados
Às vezes um candidato chega ao dia da eleição com o registro ainda em discussão na Justiça Eleitoral: a candidatura está sub judice. A lei permite que ele faça campanha e tenha o nome na urna, mas a validade dos votos que receber fica condicionada à aprovação do registro (Lei 9.504/1997, art. 16-A). Votos dados a candidatos inelegíveis ou não registrados são nulos (Código Eleitoral, art. 175, § 3º). Na divulgação, esses votos aparecem separados, como anulados ou anulados sub judice, e não entram no cálculo dos percentuais; se a decisão final for favorável ao candidato, passam a contar (TSE, Temas Selecionados: nulidades do voto).
9. A regra do 2º turno
Presidente e governador são eleitos no 1º turno se tiverem a maioria absoluta dos votos válidos, isto é, mais da metade. Se ninguém alcançar isso, faz-se nova eleição no último domingo de outubro entre os dois candidatos mais votados, e vence quem obtiver a maioria dos votos válidos (Constituição, arts. 28 e 77; Lei 9.504/1997, art. 2º, § 1º). Se, antes do 2º turno, um dos dois morrer, desistir ou ficar legalmente impedido, é chamado o candidato restante de maior votação; em caso de empate no segundo lugar, qualifica-se o mais idoso.
Em 2026, nenhum candidato a presidente passou de metade dos votos válidos em 4 de outubro, e Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) disputam o 2º turno (TSE). Para governador, há 2º turno nas seis unidades da federação listadas acima; nas outras 21, o governador foi eleito no 1º turno. Senadores e deputados não têm 2º turno: os senadores são eleitos pelo princípio majoritário (Constituição, art. 46), e os deputados pelo sistema proporcional.
10. Como o TSE “declara” o resultado
Há três momentos diferentes. O primeiro acontece ainda na noite da eleição: quando os votos que faltam somar já não podem mudar o vencedor, o TSE anuncia que o candidato está matematicamente eleito. Em 2022, por exemplo, isso ocorreu às 19h58 do dia do 2º turno, com cerca de 98% dos votos apurados (TSE). O segundo é a proclamação formal: cabe ao TSE a apuração geral da eleição de presidente (Código Eleitoral, art. 205), e o Plenário proclama os eleitos depois de aprovar o relatório final da totalização; em 2022 essa sessão foi em 6 de dezembro. Para governador, o processo corre no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de cada estado. O terceiro é a diplomação: os eleitos recebem um diploma assinado pelo presidente do tribunal (Código Eleitoral, art. 215), em 2022 marcada para 12 de dezembro.
Este site mostra quando o TSE marca um candidato como eleito nos seus arquivos; não fazemos projeções próprias.
11. Como ler este site
- Cor do mapa: cada município aparece na cor do partido de quem lidera ali. A intensidade mostra a vantagem: em quatro tons, do mais claro (menos de 10 pontos percentuais de diferença para o segundo colocado) ao mais forte (45 pontos ou mais).
- Percentuais: sempre sobre os votos válidos totalizados até aquele momento, exatamente como o TSE publica. Nada é estimado nem projetado.
- Zonas eleitorais: o TSE não publica os limites das zonas. Nas cidades com mais de uma zona, a área de cada uma é aproximada a partir dos locais de votação: cada ponto da cidade fica com o local de votação mais próximo.
- Reveja a noite: o TSE guarda só o resultado mais recente. A noite do 1º turno foi reconstruída com o horário em que cada boletim chegou ao TSE, e pode ser revista minuto a minuto na régua de tempo do mapa.
- Exterior: o mapa-múndi mostra os votos para presidente por país e por cidade, com o horário de encerramento local.
Mais detalhes sobre as fontes e a verificação estão em Sobre. O resultado completo do 1º turno está em Resultado do 1º turno, e o que está em jogo em 25 de outubro, no Guia do 2º turno.
12. Glossário
- Urna eletrônica: o equipamento em que se vota; ela também apura os votos da própria seção.
- Seção eleitoral: a menor unidade de votação, com uma urna e um grupo de eleitores.
- Zona eleitoral: a área sob responsabilidade de um juiz eleitoral; reúne muitas seções e pode cobrir parte de uma cidade ou vários municípios.
- Boletim de urna (BU): o resultado impresso de uma seção, afixado na porta e publicado na internet.
- Totalização: a soma, pela Justiça Eleitoral, de todos os boletins de urna.
- Votos válidos: os dados a candidatos (e, nas eleições proporcionais, também às legendas). São a base dos percentuais.
- Voto em branco: a opção BRANCO da urna. Não vai para ninguém.
- Voto nulo: um número que não corresponde a nenhum candidato ou partido. Também não vai para ninguém.
- Anulado / sub judice: votos de candidatura com registro negado ou ainda em julgamento; ficam fora dos percentuais.
- Maioria absoluta: mais da metade dos votos válidos.
- Proclamação: o ato formal em que o tribunal declara os eleitos.
- Diplomação: a entrega do diploma que habilita o eleito a tomar posse.
- TSE / TRE: Tribunal Superior Eleitoral e Tribunais Regionais Eleitorais, um por estado e no Distrito Federal.
13. Perguntas frequentes
Quem não votou no 1º turno pode votar no 2º?
Sim. Cada turno é uma eleição independente; basta o título estar regular. Quem faltar deve justificar cada turno separadamente: o prazo do 1º turno vai até 3 de dezembro de 2026 e o do 2º turno até 8 de janeiro de 2027 (TSE).
Se a maioria votar nulo, a eleição é anulada?
Não. Brancos e nulos não entram na conta dos votos válidos e não anulam a eleição (TSE).
Por que a diferença entre os candidatos muda durante a noite?
Porque os boletins chegam em ordens diferentes de cada região. Um percentual parcial descreve só as seções já somadas, não as que faltam.
A que horas sai o resultado do 2º turno?
A divulgação começa às 17h de Brasília de 25 de outubro. Não há hora marcada para o fim: depende da velocidade de chegada dos boletins e da diferença entre os candidatos.
Posso conferir o resultado da minha seção?
Sim. O BU fica afixado na porta da seção, pode ser lido pelo QR Code com o aplicativo Boletim na Mão e é publicado pelo TSE na internet.
Por que os votos do exterior demoram mais?
Porque nas cidades a oeste de Brasília a votação, que segue o horário local, ainda não terminou às 17h de Brasília.
Este site é oficial?
Não. É um site independente, sem vínculo com o TSE, partidos ou candidatos. Os números vêm do serviço público de resultados do TSE; o resultado oficial é o publicado em resultados.tse.jus.br.
Fontes
- Constituição Federal, arts. 28, 46 e 77.
- Lei 9.504/1997 (Lei das Eleições), arts. 2º, 16-A, 59 e 68.
- Lei 4.737/1965 (Código Eleitoral), arts. 175, 205 e 215.
- TSE: o caminho do voto depois de encerrada a votação; totalização dos resultados; o boletim de urna; aplicativo Boletim na Mão.
- TSE: horário unificado de votação; apuração começa às 17h; cenários de votação do 2º turno; eleitorado no exterior.
- TSE: votos nulos e brancos não anulam a eleição; nulidades do voto; a totalização do 1º turno de 2026; proclamação dos eleitos de 2022.