A virada: Lula estava 2,2 milhões de votos atrás e venceu por 4,4 milhões
O 1º turno terminou com Flávio Bolsonaro na frente. Três semanas depois, o Nordeste, São Paulo e Minas desfizeram a vantagem. Os números do TSE, estado por estado.
Redação Apuração 2026 · 29 de outubro de 2026

Na noite de 4 de outubro, a eleição parecia ter um favorito, e não era o presidente. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o 1º turno com 56.104.503 votos (47,0% dos válidos), contra 53.879.538 (45,2%) de Lula (PT): uma vantagem de 2.224.965 votos. Três semanas depois, em 25 de outubro, Lula foi reeleito com 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio. A diferença final, de 4.430.191 votos, é o dobro da que o senador tinha a seu favor.
Todos os números deste texto vêm da totalização final do TSE, a mesma que alimenta o mapa da apuração, e foram conferidos com os totais oficiais.
De onde vieram os votos
Entre os dois turnos, Lula somou 10,4 milhões de votos; Flávio, 3,7 milhões. A matéria-prima estava à vista. Os outros dez candidatos do 1º turno tiveram 9,3 milhões de votos (Augusto Cury, 3,4 milhões; Renan Santos, 2,7 milhões; Ronaldo Caiado, 2,6 milhões). E o 2º turno teve 4,8 milhões de votos válidos a mais que o primeiro: o comparecimento subiu de 125,3 milhões para 128,2 milhões de eleitores (de 78,9% para 80,8%), e brancos e nulos caíram de 6,0 milhões para 4,2 milhões.
Desse saldo de cerca de 14 milhões de votos em jogo, Lula ficou com quase três de cada quatro. O voto é secreto, então não dá para dizer quem trocou de lado: o que os números mostram é o saldo. E o saldo foi de Lula em todos os estados, inclusive naqueles em que ele perdeu.
O mapa: Nordeste contra Sul, e o Norte no fio da navalha
- Nordeste: Lula teve 69,4% dos votos válidos e abriu 13,7 milhões de votos de vantagem, mais que o triplo da diferença nacional. No Piauí, foram 75,9%.
- Sul: Flávio venceu com 62,6% e saiu da região com 4,6 milhões a mais. Em Santa Catarina, Lula ficou com 30,6%.
- Sudeste: Flávio venceu com 52,8%, 2,8 milhões de votos à frente, quase tudo vindo de São Paulo.
- Centro-Oeste: Flávio teve 60,0%, 1,9 milhão de votos de vantagem.
- Norte: a região mais dividida do país. Lula teve 5.024.626 votos e Flávio, 5.023.547. A diferença foi de 1.079 votos em mais de 10 milhões.
- Exterior: Lula venceu entre os brasileiros que votaram fora do país, com 53,9%.
No total, Lula ganhou em 13 estados e no exterior; Flávio, em 13 estados e no Distrito Federal.
São Paulo: perder por menos também é ganhar
Flávio venceu em São Paulo, com 53,8% dos válidos, e tirou do estado 2,0 milhões de votos de vantagem. Mas foi em São Paulo que Lula mais cresceu entre os dois turnos: 2,6 milhões de votos a mais, contra 1,2 milhão de Flávio. No 1º turno, Lula teve 38,2% dos votos paulistas; no 2º, 46,2%. Num país em que a eleição foi decidida por 4,4 milhões de votos, encurtar a derrota no maior colégio eleitoral valeu tanto quanto vencer em vários estados menores.
Minas, de novo
Minas Gerais repetiu o papel de sempre. Flávio tinha saído na frente no estado no 1º turno (48,2% a 43,3%). No 2º, Lula virou e venceu com 50,4%, uma diferença de 109.313 votos. Desde 1989, nenhum candidato chegou à Presidência perdendo em Minas, e 2026 não foi exceção. Foi também o segundo estado em que Lula mais cresceu entre os turnos: 1,16 milhão de votos a mais.
Os governadores do 2º turno
Seis unidades da federação também escolheram governador em 25 de outubro. O PL de Flávio não ganhou nenhuma; o PT ganhou uma, a mais apertada de todas, no Rio Grande do Norte.
| UF | Eleito | Votos válidos | Derrotado | |
|---|---|---|---|---|
| AC | Mailza Assis (PP) | 66,2% | Alan Rick (Republicanos) | 33,8% |
| AM | Omar Aziz (PSD) | 61,4% | Professora Maria do Carmo (PL) | 38,6% |
| DF | Celina Leão (PP) | 57,2% | Leandro Grass (PT) | 42,8% |
| ES | Lorenzo Pazolini (Republicanos) | 52,2% | Ricardo Ferraço (MDB) | 47,8% |
| RN | Cadu de Lula (PT) | 50,8% | Allyson (União) | 49,2% |
| TO | Vicentinho Júnior (PSDB) | 64,5% | Professora Dorinha (União) | 35,5% |
O que fica
A eleição de 2026 terminou com um país partido quase ao meio, e a margem de Lula, 3,6 pontos percentuais, não autoriza leituras de consagração. Mas a virada foi construída com votos, estado por estado, e está registrada na totalização do TSE. Os 34,3 mil votos registrados depois das 17h, durante a prorrogação do horário de votação, foram alvo de questionamentos; segundo o TSE, esses votos somam menos de 0,03% do total, cerca de 130 vezes menos que a diferença entre os dois candidatos.
Para ver o resultado em cada município, zona eleitoral e no exterior, abra o mapa da apuração.


